Febre Amarela: Estado do Rio tem 262 casos registrados no primeiro semestre de 2018

Atualizado: 18 de jan. de 2019

21/06/2018

Saúde


Febre Amarela: Estado do Rio tem 262 casos registrados no primeiro semestre de 2018


Levantamento realizado pela Vigilância de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do Rio aponta que 32% dos infectados por febre amarela foram a óbito. Com objetivo em reduzir o surgimento de novos casos, a vacina contra a doença continua disponíveis para população nos 92 municípios do estado.


De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro - SES, 64% da população já foi imunizada. Porém, a meta é que todos que estejam dentro do perfil apto a receber a dose da vacina, procure um posto de saúde próximo.


A Dra. Diana Ventura, médica infectologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas – FIOCRUZ, ressalta que a febre amarela é uma doença que não pode ser erradicada, mas controlada com a vacinação.


“A única forma de evitarmos a reurbanização da Febre Amarela, isto é, a volta da circulação do vírus nos meios urbanos, é através do bloqueio vacinal. A população deve ser vacinada maciçamente. Sempre haverá riscos de infecção e epidemia pelo vírus da Febre Amarela enquanto houver vetores (mosquitos) e hospedeiros naturais (animais silvestres)”.


A inclusão da dose no calendário vacinal desde o ano passado foi uma das medidas adotadas pelos órgãos de saúde, com o foco em combater de forma permanente a febre amarela no estado.


Em relação a eficácia das doses fracionadas aplicadas em alguns municípios, a médica infectologista destaca pesquisas divulgadas pelo Ministério da Saúde do Brasil, citando trabalhos realizados na Fiocruz de experiências bem sucedidas em países da África e América Latina.


“O fracionamento da vacina contra Febre Amarela tem fundamento científico e resultados eficazes. Isso porque a composição deste imunobiológico é suficientemente concentrada para permitir a particulação do componente imunogênico da vacina sem que o produto perca seu efeito.


A única diferença prevista para a vacina fracionada é a validade, 8 anos (sendo necessário receber outra dose após o período), ao invés da vida toda. Ela não é indicada para crianças menores de 2 anos de idade e idosos.


A administradora Tania Latsch, moradora da cidade de Petrópolis tomou a dose completa da vacina em 2017, no último dia da campanha nacional. “Nem tínhamos ouvido falar na dose reduzida e a doença ainda não havia se manifestado na cidade. O posto de saúde do bairro estava bem cheio, com crianças, adultos e idosos”.


Três meses após receber a dose da vacina, surgiram os primeiros casos de macacos mortos e infectados na região: “Confesso que fiquei muito aliviada por estar imunizada. Onde moro tem uma grande área verde e há ocorrência de macacos”.


Mas, a mãe da administradora não conseguiu ser imunizada, mesmo vivendo em local próximo a mata e com contato quase diário com os micos.


“Na época, o posto de saúde exigiu um atestado médico para a aplicação da vacina por ela ter mais de 60 anos. Mediante a dificuldade da marcação do médico generalista para a emissão do atestado, ela desistiu da vacina”.


Segundo a Dra. Diana, esse critério existe porque na população a partir de 60 anos de idade, a vacina contra febre amarela confere um risco estatisticamente maior de provocar doença viscerotrópica grave, ou seja, quadro clínico idêntico ao produzido pelo vírus selvagem, só que causado pelo vírus vacinal.


“Esse evento adverso é considerado bastante raro, mas pode levar ao óbito em alguns casos. No entanto, deve-se avaliar se o idoso pode ou não receber a vacina da febre amarela, considerando principalmente o grau de exposição à doença e presença de comorbidades. Por isso, é importante uma avaliação médica cuidadosa para essa liberação”.


A SES salienta que os macacos não são responsáveis pela transmissão da febre amarela silvestre. A doença é transmitida por meio da picada de mosquitos Haemagogus e Sabethes, que vivem em matas e vegetações à beira dos rios.


Mesmo com risco reduzido, o Aedes aegypti é o mosquito que pode se tornar capaz de transmitir o vírus se picar um macaco ou pessoa já portadora da doença. Até o momento não há registros de casos de febre amarela urbana no estado.


Ao encontrar macacos mortos ou doentes, o cidadão deve informar o mais rápido possível às Secretarias de Saúde do município ou do Estado do RJ. Lembrando que a vacinação é a única maneira de evitar a febre amarela.


Primeiros casos

No início do ano, Cantagalo, cidade na região serrana teve o primeiro caso confirmado pelo governo do estado, e até o momento outras 32 cidades tiveram registros da doença, sendo o total de 84 mortes.


Mais informações

O portal Febre Amarela RJ disponibiliza todas as informações sobre sintomas, contraindicações, áreas e períodos do ano com maior probabilidade do surgimento do mosquito transmissor, além de dados atualizados sobre casos da doença.


Veja os municípios do Rio com casos confirmados de febre amarela até junho de 2018:



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