Irmã Dulce é canonizada pelo Papa Francisco no Vaticano

13/10/2019

Brasil


Irmã Dulce é canonizada pelo Papa Francisco no Vaticano



Foto: reprodução - internet

Irmã Dulce vira a primeira santa do Brasil com a canonização realizada hoje, 13/10, no Vaticano pelo Papa Francisco. O teólogo e cardeal John Henry Newman - da Inglaterra, as religiosas Giuseppina Vannini - da Itália e Mariam Thresia Chiramel Mankidiyan - da Índia, e a catequista leiga Marguerite Bays - da Suíça também foram reconhecidos como santos na cerimônia.


O processo de santificação do anjo bom da Bahia, assim conhecida pelo trabalho realizado com os pobres e doentes, começou em janeiro de 2000. A análise durou 19 anos e seguiu os requisitos adotados pela igreja católica para examinar a vida, obras, intercessões e comprovações de milagres.


A história de milagre do músico José Maurício Bragança Moreira ajudou a concluir o processo de canonização de Irmã Dulce. Aos 23 anos de idade, José foi diagnosticado com glaucoma e ficou 14 anos sem enxergar. Em 2014 o músico teve uma conjuntivite considerada grave pelos médicos, com inchaço, dores e uma espécie de derrame nas vistas.


Foto: reprodução TV Aparecida

Mesmo em repouso e com acompanhamento médico, José recorreu a Irmã Dulce numa noite em que sentiu muitas dores nos olhos. O relato foi feito em entrevista para TV Aparecida.


"Eu peguei a imagem de Irmã Dulce que estava na minha mesa de cabeceira, que era de minha mãe (devota de Irmã Dulce). Fiz uma oração e coloquei a foto dela nos meus olhos e pedi que aliviasse a minha dor, que curasse a minha conjuntivite porque eu não aguentava mais".


Ao acordar, colocou uma compressa de gelo nas vistas para amenizar as dores. "O gelo derretia e eu sempre enxugando com papel toalha. Numa dessas vezes eu vi a minha mão se aproximando pela primeira vez".


Após voltar a enxergar, o músico foi examinado pelo médico, que constatou que os olhos continuavam com as lesões no nervo ótico. Segundo José Maurício, o médico disse que só poderia ser um milagre.


Infância e Juventude


Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, nome de batismo de Irmã Dulce, nasceu numa família de classe média na Bahia. Foi uma criança que adorava brincar e apaixonada por futebol. Torcia pelo Esporte Clube Ypiranga, time formado pela classe trabalhadora e os excluídos sociais.


Foto: reprodução - site Irmã Dulce

Aos sete anos perdeu sua mãe. No ano seguinte, 1922, fez a primeira comunhão com os irmãos na Igreja de Santo Antônio Além do Carmo. Aos 13 anos passou a abrigar moradores de rua em sua casa com o apoio de sua família. O local ficou conhecido como ‘A Portaria de São Francisco’, por aglomerar muitos carentes na porta.


Nesse período Maria Rita já demonstrava o interesse em seguir a vida religiosa. Após conclusão do curso de professora, ingressou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe.



Trajetória de doação pelo bem do próximo



Já como freira, Irmã Dulce foi lecionar num colégio mantido pela sua congregação, no bairro da Massaranduba, na Cidade Baixa, em Salvador. Mas, a religiosa acreditava que a sua missão era realizar um trabalho voltado aos desamparados.


Foto: site Irmã Dulce

Em 1935, a religiosa deu assistência à comunidade pobre de Alagados, conjunto de palafitas no bairro de Itapagipe, em Salvador. Período em que também começou a atender os operários, criando um posto médico e no ano seguinte fundando a União Operária São Francisco – primeira organização operária católica do estado, que depois deu origem ao Círculo Operário da Bahia.


Quatro anos depois, Irmã Dulce já peregrinava pelas ruas de Salvador com os doentes que recolhia nas ruas. Passou uma década sendo expulsa de vários locais improvisados para abrigar os enfermos. Em 1949, após autorização da sua superiora, levou para um galinheiro os primeiros 70 doentes. Ela adaptou o espaço em leitos. O local era ao lado do Convento Santo Antônio.


Esse foi o início de um legado de solidariedade criado por Irmã Dulce para amenizar o sofrimento dos carentes. O galinheiro se transformou num hospital com o apoio e doações não só de baianos como também por todo o Brasil e personalidades internacionais. Foi instalada em 1959 a Associação Obras Sociais Irmã Dulce e no ano seguinte é inaugurado o Albergue Santo Antônio.


Foto: reprodução da internet

Irmã Dulce foi indicada ao Nobel da Paz em 1988. No início a freira ficou assustada, disse que não merecia, e ressaltou que fazia a obra para Deus, para amenizar a dor das pessoas. Contudo, foi explicado a ela que o prêmio vinha atrelado a uma doação financeira que ajudaria a ampliar o alcance do trabalho para atender outros necessitados. A religiosa não ganhou, mas o seu trabalho conseguiu o reconhecimento internacional.


Nos últimos anos a saúde da freira já estava debilitada. Irmã Dulce tinha perdido 70% da capacidade respiratória. Em outubro de 1991, O Papa João Paulo II esteve no país e incluiu na agenda uma visita ao Convento Santo Antônio para visitá-la. Essa foi a segunda passagem do Pontífice no país.


O anjo bom morreu aos 77 anos de idade em março de 1992. Deixou milhares de órfãos tristes pelo país. Entretanto, ao longo da vida, deixou uma mensagem de esperança, amor, solidariedade que permanece viva através das obras sociais que beneficiam milhões de pessoas.

© 2020 - Vitor Catanho

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