Presidente Jair Bolsonaro faz pronunciamento após pedido de demissão de Sergio Moro

Atualizado: Abr 29

24/04/2020

Brasília



Presidente Jair Bolsonaro faz pronunciamento após pedido de demissão de Sergio Moro



Foto: reprodução YouTube - Jair Bolsonaro

"Sabia que não seria fácil. Uma coisa é você admirar uma pessoa, a outra é conviver com ela, trabalhar com ela. Hoje pela manhã, por coincidência, tomando café com alguns parlamentares eu lhes disse: hoje vocês conhecerão aquela pessoa que tem um compromisso consigo próprio, com seu ego e não com o Brasil".


Essas foram as primeiras palavras de Bolsonaro horas após o anúncio do pedido de demissão de Sergio Moro, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O presidente reuniu os demais Ministros para o pronunciamento, que o classificou para "restabelecer a verdade". Ele rebateu as declarações do ex-ministro sobre a tentativa de interferência na Polícia Federal e a justificativa para trocar o comando da direção-geral da Polícia Federal.


"Estou decepcionado e surpreso com o seu comportamento. Não se dignou a me procurar e preferiu uma coletiva de imprensa para comunicar sua decisão. Meu compromisso é com a verdade, sem distorções. Não são verdadeiras as insinuações de que eu desejaria saber sobre investigações em andamento. Nos quase 16 meses que esteve a frente do Ministério da Justiça, o senhor Sérgio Moro sabe que jamais lhe procurei para interferir nas investigações que estavam sendo realizadas. A não ser aquelas, não vi interferência, mas quase como uma súplica sobre o Adélio, o porteiro, e meu filho zero quatro".


A exoneração de Valeixo


Bolsonaro ressaltou em entrevistas e após acerto de Moro ao ministério, que o Ex-juiz teria "carta branca" para fazer as alterações necessárias para seguir o projeto do governo de priorizar ações para combater a corrupção e crimes violentos e organizados. No comunicado de hoje, declarou que dá autonomia aos ministros, mas é ele quem toma as decisões finais.


"Autonomia não é sinal de soberania. A todos os ministros, ele também, falei do meu poder de veto, os cargos-chaves têm que passar pelas minhas mãos e eu daria o sinal verde ou não".

Para justificar a decisão de exonerar o Diretor-Geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, o presidente citou a lei 13.047 de 2014, como 'prerrogativa para nomeação e exoneração do diretor-geral'.


"A exoneração ocorreu após uma conversa minha com o ministro da Justiça, pela manhã de ontem. À noite, eu e o doutor Valeixo conversamos por telefone, e ele concordou com a exoneração a pedido. Desculpe, senhor ministro, o senhor não vai me chamar de mentiroso. Não existe uma acusação mais grave para um homem como eu, militar, cristão, e presidente da República, ser acusado disso.

Essa foi a minha conversa com doutor Valeixo e, mais ainda, a imprensa publicou no dia de ontem e de hoje, bem como, entre aspas, o doutor Valeixo, em contato com a superintendência do Brasil, comunicando que estava cansado, que desde janeiro queria sair. Então, não foi uma demissão que causasse surpresa a quem quer que fosse".


Histórico da relação de Bolsonaro com Moro


O presidente fez um longo discurso sobre o histórico da relação entre ele e Moro. Destacou o trabalho do ex-ministro como juiz na Operação Lava Jato, o primeiro contato e a aproximação com o ex-magistrado da 13.ª Vara Federal de Curitiba após levar uma facada durante durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG) até o convite para integrar a equipe do governo.


"A Lava Jato já existia, mas ninguém nega o seu brilhante trabalho. Eu pessoalmente tive o primeiro contato com o senhor Sergio Moro no dia 30 de março de 2017, no Aeroporto de Brasília, aonde ele estava parado numa lanchonete e eu fui cumprimentar (sic). Ele praticamente me ignorou. A imprensa toda noticiou isso dando descrédito a minha pessoa. Confesso que fiquei triste porque ele era um ídolo para mim".


Foto: reprodução - TV Brasil

"Eu era apenas um deputado, humilde deputado como é ou como são a maioria que estão no parlamento brasileiro. Não vou dizer que chorei porque estaria mentindo, mas fiquei muito triste. Pra minha surpresa, uns dias depois, eu estava em Parnamirim e recebi um telefonema dele, onde obviamente a sua consciência tocou, e ele conversou comigo sobre o episódio. Eu dei por encerrado o assunto. Me senti de certa forma reconfortado".


"Recebi uma ligação de uma pessoa que queria fazer com que o senhor Sergio Moro fosse me visitar. Eu fiquei feliz, mas declinei. Ele não esteve comigo durante a campanha. Eu não sei em quem ele votou no primeiro turno e nem quero saber. O voto é sagrado e secreto. Mas eu evitei exatamente conversar com ele naquele momento entre o primeiro e segundo turno porque com toda a certeza essa vista se tornaria pública e eu não queria aproveitar do prestígio dele pra conseguir a vitória no segundo turno".


"Após a nossa vitória, a vitória da democracia, da liberdade, das eleições livres, eu recebi o senhor Sergio Moro na minha casa, na Barra da Tijuca. presente ao meu lado estava o senhor Paulo Guedes, o homem que já havia escolhido para ser Ministro da Economia. E ali traçamos alguma coisa de como ele seria tratado caso aceitasse o novo convite para ser Ministro da Justiça.



Pronunciamento na íntegra de Jair Bolsonaro sobre a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública


© 2020 - Vitor Catanho

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