Sergio Moro anuncia pedido demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública em coletiva

24/04/2020

Brasília


Sergio Moro anuncia pedido demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública em coletiva


Sergio Moro. Foto: reprodução YouTube - BandNews FM

Na manhã desta sexta (24/04), Sergio Moro realizou uma coletiva em Brasília com os jornalistas, para anunciar o pedido de demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública após 1 ano e 3 meses no cargo. O ex-juiz da Operação Lava Jato lamentou pelo comunicado,  num período de pandemia da Covid-19 e pediu a compreensão de todos pelas circunstâncias, afirmando que a decisão não foi por opção: "Busquei ao máximo evitar que acontecesse, mas foi inevitável".


Ontem (23/04), nos bastidores da política, a possível saída de Moro já era comentada, após a publicação do jornalista Leandro Colon, do Jornal 'Folha de São Paulo', que noticiou o pedido de demissão de Moro, por desaprovar a decisão do presidente Jair Bolsonaro em realizar troca no comando da direção-geral da Polícia Federal. O pedido de saída do Ministro não tinha sido confirmado por sua assessoria.


Durante a madrugada de hoje (24/04), foi publicado no Diário Oficial da União, o Decreto de Exoneração do Diretor-Geral da PF, Maurício Valeixo, com as assinaturas digitais de Bolsonaro e Sergio Moro. O delegado com histórico na superintendência da PF no Paraná era uma indicação, um nome de confiança de Moro.


Foto: reprodução - BandNews FM

Em pronunciamento, Sergio Moro disse que soube da saída do diretor-geral da Polícia Federal através do D.O.U e que não assinou o documento publicado pelo governo. "Eu fui surpreendido, achei isso ofensivo. Vi que depois a SECOM (Secretaria Especial de Comunicação Social) afirmou que houve essa exoneração a pedido, mas isso de fato não é verdadeiro. Pra mim, esse último ato é uma sinalização de que o presidente me quer realmente fora do cargo, não me quer presente dentro do cargo por essa precipitação na realização da exoneração. Não vejo aí muita justificativa".


Antes classificado como superministro por administrar a pasta unificada (da justiça e segurança pública), uma das mais importantes do governo Bolsonaro e com a promessa de autonomia para tomada de decisões, o agora ex-ministro disse que o presidente interferia no trabalho e demonstrava interesse em mudar nomes da direção-geral da PF e superintendências regionais sem detalhar os motivos para efetivar tais alterações.


"O presidente passou a insistir também na troca do diretor-geral. O que eu sempre disse ao presidente é que eu não tenho nenhum problema em trocar o diretor-geral da Polícia Federal, mas eu preciso de uma causa, e uma causa realmente relacionada a uma insuficiência de desempenho, um erro grave. No entanto, o que eu vi durante todo esse período e pelo histórico do próprio diretor-geral, que é um trabalho bem feito. Não é uma questão do nome, tem outros bons nomes para assumir o cargo de diretor-geral da Polícia Federal, há outros delegados igualmente competentes. O grande problema de realizar essa troca é que haveria uma violação de uma promessa que foi feita inicialmente, que eu teria 'carta branca'; em segundo lugar: não haveria uma causa para essa substituição - estaria claro que estava havendo interferência política na Polícia Federal, o que gera um abalo na credibilidade".


O ex- ministro rememorou que desde 2014 na Lava Jato já havia uma preocupação constante de uma interferência do executivo nos trabalhos de investigação, que na avaliação dele poderia ser feito de diversas formas.


"Tivemos no início da lava jato o superintendente Rosalvo Ferreira, que convidei aqui para o ministério que está fazendo um grande Trabalho, depois sucedido pelo superintendente Valeixo. Na época houve essa substituição pela aposentadoria do Rosalvo e foi mantida a autonomia da Polícia Federal nesse período. Enfim, foi garantida a autonomia da polícia federal durante esses trabalhos na área de investigação".


"Exceto que o governo da época tinha inúmeros defeitos, aqueles crimes gigantescos de corrupção que aconteceram naquela época, mas foi fundamental a manutenção da autonomia da PF para que fosse possível a realização do trabalho, seja ele de bom grado ou pressão da sociedade com essa autonomia emitida, isso permitiu alcançar os resultados", disse Sergio Moro.


DO CONVITE À POSSE


Moro fez questão de relembrar na coletiva o convite que recebeu do então presidente recém-eleito, Jair Bolsonaro em novembro de 2018 para fazer parte da equipe. Disse que aceitou gerir o Ministério da Justiça e Segurança Pública pela proposta feita por Bolsonaro para atuar no combater a corrupção, o crime organizado e a criminalidade violenta, inclusive oferecendo liberdade para nomear todos os assessores de órgãos como Polícia Rodoviária Federal e a própria Polícia Federal.


"Eu realmente assumi esse cargo, fui criticado e entendo essas críticas, mas a ideia era realmente buscar num nível de formulador de políticas públicas, aqui numa alta posição do executivo, de aprofundar o combate de corrupção e levar essa maior efetividade em relação a criminalidade violenta e o crime organizado".


A ÚNICA CONDIÇÃO


Segundo Moro, na época, foi divulgado a informação equivocada que ele só teria estabelecido como condição pra assumir o Ministério da Justiça e Segurança pública uma futura nomeação ao Supremo Tribunal Federal: "Nunca houve essa condição até porque seria um caso de aceitar um cargo de ministro da justiça pensando em outro, isso não é da minha natureza".



Revelou que a única condição imposta na negociação e aceita pelo presidente para ocupar o cargo de Ministro, foi que a família dele não ficasse desamparada - sem uma pensão, caso acontecesse algo, pois estava deixando 22 anos de magistratura, de contribuição para previdência para assumir um cargo ' executivo' do governo.


O ex-ministro assegurou que irá descansar, mais adiante procurará um emprego e que estará à disposição do país para ajudar nesse período da pandemia com outras atitudes: "sempre respeitando um mandamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública nessa gestão que é fazer a coisa certa sempre", concluiu. 

© 2020 - Vitor Catanho

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