Wellington Lima comemora 20 anos no Cirque du Soleil

20.05.2018

Vitor Catanho para o Cirque Brasil


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H√° vinte anos levando ao p√ļblico do Cirque du Soleil o n√ļmero de trampwall, o pernambucano Wellington Lima recorda que optou pela disciplina e responsabilidade para nortear a sua carreira. As duas d√©cadas na companhia o fez enxergar o seu importante papel nos espet√°culos, que serve para muitos como fonte de inspira√ß√£o.


‚ÄúHoje em dia n√£o √© f√°cil entrar em um espet√°culo do Cirque du Soleil, agrade√ßo a Deus pela oportunidade de todos os dias estar no palco e dar o melhor de mim, e n√£o s√≥ proporcionar um sorriso para algu√©m como tamb√©m receber esse sorriso de mim mesmo‚ÄĚ.


Atualmente Wellington tem uma carreira consolidada e com grandes feitos, mas nunca tinha imaginado fazer parte do elenco de artistas do ‚ÄėCirque‚Äô. O seu desejo ainda crian√ßa era de praticar capoeira, por conta das t√©cnicas e acrobacias aplicadas na modalidade.


A capoeira de certa forma o levou para a ginástica artística, já que sua avó não queria que ele fizesse a luta. Ela via a ginástica como um esporte que possibilitaria assim como a capoeira, o desenvolvimento dessas habilidades. Desta forma, permitindo o ingresso do neto ao esporte aos 11 anos de idade, em Recife.


Wellington participou de competi√ß√Ķes estaduais e regionais, treinou em gin√°sios e com t√©cnicos de outros estados. As experi√™ncias colaboraram para dar um novo salto na profiss√£o aos 17 anos de idade: fazer o teste de ingresso para o Cirque Du Soleil.


Ap√≥s passar na audi√ß√£o do Cirque, na cidade do Rio de Janeiro em 1997 com mais de 100 artistas, Wellington foi selecionado entre os 10 para fazer parte do casting da companhia: ‚ÄúDentre esses 10 selecionados s√≥ 5 vieram para c√° para fazer a cria√ß√£o do ‚ÄėLa Nouba‚Äô, fui o √ļnico acrobata desses cinco selecionados. Me senti com uma grande responsabilidade porque sabia que no Cirque s√≥ trabalhava gente de alto n√≠vel, os melhores dos melhores‚ÄĚ.


Durante esse 20 anos muitas coisas mudaram não só para os artistas como também para a equipe dos bastidores.  Wellington acredita que mudança é crescimento, e o desafio constante de criar, surpreender, emocionar e se reinventar sem deixar a essência circense, continua sendo a prioridade do Cirque du Soleil, para acompanhar os novos tempos. E esse conjunto de fatores a mantém como referência, e é algo que o orgulha muito em fazer parte.


Por considerar importante desenvolver outras habilidades que possam colaborar com novos n√ļmeros, o pernambucano al√©m da especialidade em trampolim de parede aprendeu tamb√©m outras modalidades, como: tecido, dan√ßa, roda alem√£ e Cyr Wheel.


Em rela√ß√£o ao n√ļmero de Trampwall, Wellington mesclou a capoeira, que aprendeu ainda crian√ßa, com as t√©cnicas de gin√°stica art√≠stica e de trampolim acrob√°tico para montar n√ļmeros in√©ditos. E o resultado da jun√ß√£o dessas habilidades possibilitou na cria√ß√£o art√≠stica e t√©cnica de outros n√ļmeros de trampolim para alguns shows que existem at√© hoje no Cirque.


No mês de maio, Wellington Lima comemora o seu vigésimo ano no circo. Ele fez um balanço de sua trajetória na companhia, que não foi planejada porém, muito bem-sucedida.


‚ÄúEu me sinto realizado em trabalhar no circo, na verdade n√£o era isso que eu sonhava para minha vida, mas √© isso que a vida tinha sonhado para mim e hoje em dia me sinto feliz em poder inspirar e transformar a vida de muitas pessoas que vem assistir os espet√°culos que eu fa√ßo parte‚ÄĚ.


CAPOEIRA E GIN√ĀSTICA NA INF√āNCIA


Wellington come√ßou na gin√°stica art√≠stica aos 11 anos por causa da capoeira: ‚ÄúEstava vindo da escola e vi alguns garotos do meu bairro fazendo acrobacia e eu me encantei com aquilo, e quis aprender‚ÄĚ.


Por√©m, a sua av√≥ tinha receio em deix√°-lo fazer capoeira devido a discrimina√ß√£o que os praticantes geralmente sofriam por relacionarem a luta a pessoas que ‚Äėn√£o estavam envolvidas em coisas boas‚Äô.


Mas Wellington conseguia enxergar al√©m dessas especula√ß√Ķes. N√£o √© √† toa que a luta at√© hoje o inspira e ajuda a executar melhor os movimentos devido a no√ß√£o de espa√ßo que a a modalidade proporciona. ‚Äú√Č uma forma de autoconhecimento. E a verdade tem que ser dita, a capoeira brasileira abra√ßa todas as culturas‚ÄĚ.


Em 1991, um ano após iniciar na capoeira, começou a treinar ginástica artística, e em dois anos aderiu aos treinos de ginástica de trampolim com um professor da Universidade Federal de Pernambuco, em Recife

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A partir desse per√≠odo se mudou para S√£o Paulo para intensificar ainda mais os treinos de trampolim acrob√°tico. ‚ÄúQuando fui morar em S√£o Paulo viajava por duas horas para poder treinar, mas tudo isso valeu a pena porque eu tinha um bom treinador que se chama Cl√°udio Urbini (in mem√≥ria), que me acolheu, me fez sentir que eu tinha futuro. Eu sou muito grato a ele e a todos professores que me ajudaram a ser o profissional que eu sou hoje‚ÄĚ.


Em 1997 foi campeão brasileiro de trampolim, por idade na categoria adulta e mudou para o Rio de Janeiro, onde na semana em que chegou para treinar com a Seleção brasileira de trampolim acrobático soube que estava acontecendo uma audição para o Cirque du Soleil.


COMO CHEGOU AO CIRQUE


Wellington conheceu o Cirque Du Soleil atrav√©s da televis√£o. Ele assistia aos domingos o programa ‚ÄėFant√°stico‚Äô da TV Globo, que sempre apresentava trechos de shows da companhia canadense. ‚ÄúAquilo me encantava, mas meu sonho era representar o Brasil em atividades relacionadas gin√°stica art√≠stica ou de trampolim‚ÄĚ.


Mesmo n√£o sendo uma prioridade, logo que chegou ao Rio de Janeiro para dar continuidade aos treinos de trampolim foi incentivado a participar das audi√ß√Ķes que estavam acontecendo na cidade.


Ele recorda que era o n√ļmero 71 de cerca de 120 candidatos que estavam participando dos testes. Diferente de muitos, ele n√£o ficou nervoso, conseguiu se destacar na audi√ß√£o e foi um dos escolhidos para trabalhar no Cirque.


Assim que chegou a companhia conheceu Roberto Silva, o primeiro brasileiro a trabalhar no espet√°culo ‚ÄėMystery‚Äô. Dentre os artistas brasileiros do segundo grupo a trabalhar no Cirque du Soleil, Wellington √© o √ļnico que continua no casting da Companhia.


LINHA DO TEMPO

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  • 1998 ‚Äď ‚ÄėLa Nouba‚Äô, primeiro espet√°culo de Wellington Lima pelo Cirque Du Soleil;

  • 2002 ‚Äď Participa√ß√£o especial no Oscar;

  • 2004 ‚Äď ‚ÄėDralion‚Äô show que destacava os contrastes e conflitos entre o oriente e ocidente;

  • 2009 ‚Äď Fez parte do espet√°culo ‚ÄėViva Elvis‚Äô;

  • 2013 ‚Äď Ano em que iniciou no show em homenagem ao rei do pop ‚ÄėMichael Jackson One‚Äô. Continua se apresentando at√© hoje no espet√°culo;

  • 2015 -¬† Participa√ß√£o especial nos jogos Pan-Americano na cidade de Toronto, na prov√≠ncia de Ont√°rio, no Canad√°;

  • 2017 ‚Äď Participa√ß√£o especial no espet√°culo ‚ÄėOVO‚Äô.


VIDA EM LAS VEGAS


O artista de trampolim teve a oportunidade de trabalhar em  shows itinerantes e em espetáculos fixo, conhecidos também como shows residentes. Esses dois modelos de trabalho tem aspectos distintos não só a rotina de trabalho como também na vida pessoal.

No caso do espetáculo residente, o artista é responsável por sua vida pessoal em relação a moradia, transporte e alimentação. O profissional também precisa se organizar para adequar a sua rotina aos treinos e shows que acontecem cinco vezes por semana, duas vezes por noite, totalizando 480 shows por ano.


J√° nos shows itinerantes o Cirque √© respons√°vel pelos artistas e tamb√©m ajudam com alimenta√ß√£o, transporte e local para ficar durante a semana de apresenta√ß√Ķes na cidade. ¬†Wellington diz que o legal do show itinerante √© que a equipe pode conhecer v√°rios lugares durante as temporadas nos diversos lugares que o Cirque passa.


Atualmente ele faz parte do espet√°culo ‚ÄėMichael Jackson One‚Äô em Las Vegas e tamb√©m concilia a agenda com um trabalho volunt√°rio com o circo, realizando palestras para inspirar crian√ßas e adolescentes. Al√©m disso, √© o respons√°vel e professor de um grupo de capoeira com 60 alunos, na faixa et√°ria que varia entre 2 a 50 anos de idade.


‚ÄúHoje em dia eu sou professor aqui em Las Vegas e fico muito feliz em passar adiante, aquilo que aprendi e ainda estou aprendendo, al√©m de valorizar a nossa cultura. Porque a vida √© um c√≠rculo‚ÄĚ.


Mesmo com uma rotina bem intensa, ele aproveita as folgas numa das cidades mais populosas do estado americano de Nevada para ir ao cinema, se exercitar, fazer ioga, explorar um pouco a natureza, ler livros, dan√ßar salsa e tamb√©m namorar. Em per√≠odo de f√©rias, sempre que pode visita seus familiares e amigos no Brasil, e pelo menos uma vez por ano tenta ¬†conhecer novos lugares ao redor do mundo‚ÄĚ.


O FUTURO

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Continuar fazendo shows at√© quando o corpo ‚Äėpedir para se aposentar‚Äô e realizar um dos grandes sonhos, que √© ter um orfanato no Brasil s√£o alguns dos planos Wellington que almeja para o futuro. Mas enquanto isso, tem como foco entrar no palco e fazer sempre uma grande show para o p√ļblico.


‚ÄúEm todas as apresenta√ß√Ķes carrego comigo os ensinamentos e li√ß√Ķes que meus amigos professores e familiares me deram. Tenho orgulho de ser brasileiro e de poder representar o meu pa√≠s no palco do CDS (Cirque Du Soleil). E que venham mais 20 anos!‚ÄĚ

¬© 2020 - Vitor Catanho

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